segunda-feira, 13 de setembro de 2010

REC 2, Possuídos.


Sabe aquele filme que você queria muito que estreasse nos cinemas? É aquele mesmo, caro leitor. No seu caso pode ser "Amanhecer", no caso do seu amigo o novo "Harry Potter", o seu pai torce para que finalizem-se logo as gravações do "He-man". E eu, pobre amante de filmes de horror, o que estava esperando neste ano? Bem, depois de um "Pesadelo" desastroso e um "Caso 39" cruel para engolir, eu não esperava mais nada, sinceramente, mais nada. Esses dois que citei são apenas exemplos, o ano foi muito cruel para os fãs do autêntico horror movie. Mas, para não ludibriar a você que me ler, conto-lhes, esperava mais do que tudo a um filme de terror neste ano que não poderia me decepcionar. Um, apenas um para salvar a pátria: REC 2.
Pra que não conhece o filme original, REC conta a história de um grupo de pessoas que acabam se deparando com uma estranha situação: a de ficarem presas no seu prédio porque estavam sendo contaminadas por algo mortal que as transformavam em monstros que partiam ao ataque dos outros, humanos, para mordê-los e contaminá-los também. O detalhe é que toda a ação do filme é mostrada a partir da técnica da câmera subjetiva, técnica esta observada com perfeição em "A bruxa de Blair" (The Blair Witch Project, 1999), não tão com perfeição no audacioso até demais "Cloverfield" (Cloverfield, 2008) e no bom Atividade Paranormal (Paranormal's Activity, 2009). REC foi uma surpresa. Na direção de Jaume Balegueró e Paco Plaza o filme assustou platéias no mundo todo, desde a Espanha, onde o filme foi realizado, rodando o globo e chegando ao Brasil, onde esse que vos escreve recebeu com euforia e aplausos incrédulos ao belo filme de terror o qual assistiu.
REC foi contundente. Sem explicações, sem choramingos, sem rodeios, sem alívios, melodramas (não que isso tudo seja ruim mas suas ausências contribuíram para a força narrativa do filme). Como diriam alguns amigos, um filme "bruto". A técnica da câmera subjetiva surpreendeu muito, onde vimos tudo na óptica de um cinegrafista que filmavas as ações. Ok, fim do filme. Começam-se as expeculações do segundo, confirma-se a existência do mesmo e depois de todo o processo de pré,pro e pós que todos já possuem conhecimento, dois anos depois da estréia do primeiro filme chega nos cinemas REC 2, Possuídos.
Juro que passei um tempo extremamente viciado nas notícias sobre o segundo filme, mas como o mundo não pode parar por causa de alguns monstrinhos, acabei esquecendo com o tempo, quando então vi que estava próximo o lançamento corri para ratificar. Sem ao menos ler a sinopse do filme, fui aos cinemas convicto, sem titubear da qualidade do material que estava para ver. Os roteiristas: os mesmos. Os diretores: os mesmos do primeiro. Vai dar tudo certo e o ano não foi perdido. Deu?
Não amigos, não foi dessa vez (pelo menos este ano) que consegui sair feliz de um filme de terror no cinema. Muito pelo contrário, saí paulatinamente triste. O roteiro do filme, que era o seu maior forte (ele e a direção, que ademais falo) descambou, torridamente e tristemente uma ladeira drástica rumo ao fracasso. A história, recheada de ótimas exposições, situações explicadas apenas pelo focar da lente da câmera, descambou para um excesso de exposições inadequadas e um frequente ilogismo de "registrar tudo" que irritou até o mais leigo telespectador sentado em frente ao telão goliesco. O que eu fiz muito foi rir. Eu ri muito, não por dentro, onde o meu desejo era parar o filme e mandar fazê-lo de novo, mas ri das situações absurdas criadas e das equivocadas soluções tomadas (agora sim) pelas mãos dos diretores Jaume Balegueró e Paco Plaza. As mini câmeras adcionadas ao enredo do filme contribuíram para a sua superficialização e fugacidade da situação original, onde uma câmera filmava toda a situação. O excesso de cortes prejudicou o entendimento de muitas situações, algo que pouco acontecia no primeiro filme, quando o mantenimento da câmera ligada, sem parar, contribuía para a permanência da tensão. Se Roland Barthes criticasse esse filme ele com certeza diria que enquanto o REC (original) foi um filme "erótico" (que mostrou mas não escancarou nada ao telespectador) o REC 2 foi um filme "pornográfico" (que entregou tudo pra quem assiste de forma ruim e desinteressante).
O excesso de personagens também prejudicou este filme, enquanto o original possuída praticamente dois personagens principais (a repórter e o cinegrafista), esse teve incontáveis, desde os policiais que penetraram o prédio (com suas micro-câmeras) junto com o padre (ou cura, para "los intimos") e os garotos, a partir da metado do filme.
REC 2 não funcionou. Eu não quis acreditar na palavra quando li pela primeira vez: REC 2, "POSSUÍDOS". Não quis ver o lógico, nada no primeiro deixaria margem a isso, além de algumas pistas algumas fotos, mas nada mais no filme apontava a isso, mas o roteiro do 2 nos apresentou aos demônios de REC. Eles eram demônios. A desculpa pra isso? Ridícula, não necessita-se falar aqui, cabe a você atestar o que digo quando assitir. Não acredito que alguém vá realmente engolir a história de REC 2. Além de pouco assustar é pouco criativo, parece que montado às pressas, "monetariamente dirigido" e "filhadaputamente" finalizado. Foi triste para mim porque esperava mais, esperava muito.
Se o remake americano do brilhante REC já foi ruim imagine se inventarem de fazer um remake desse (que parece e é um filme totalmente diferente) ruim REC 2, vai ser um jurupeba nauseante. Vem aí "O Último Exorcismo", pelo trailer já criei meus pré-conceitos, mas quem sabe queime minha língua. Enquanto isso, Jesus, deixe-me chorar pela tristeza do REC 2, Possuídos.

obs: essa crítica não vale para o momento em que a câmera cai e vemos o desenrolar de um ataque de uma menina endemoniada à 2 policiais pelas sombras da parede e sem áudio. Essa cena me lembrou o REC, o terror, o dislumbramento, mas depois me lembrei que a menina estava endemoniada, então brochei de novo.

NOTA = 4,0

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